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  Poesias >> O Aceno da Esta√ß√£o

O Aceno da Estação


Naquele aceno triste...
Naquela l√°grima oculta na alma...
Naquele choro que insiste...
Naquela aparente express√£o calma...
Naqueles seus olhos acesos...
Brilhando em meio a tantos outros,
Traz todos os seus amores presos,
Em seu cora√ß√£o de muitos v√īos soltos....

Tantas outras faces choram...,
À sua volta..., ao seu redor...
Tantas outras m√£os acenam,
Que deixam o seu aceno, cada vez menor...

E seu rosto de sofrimento
Confunde-se com os muitos dali...
Mas só eu entendo o seu tormento...,
Que é ver-me bem longe de ti...

E o trem corre..., como que por maldade...
Para apertar mais rápido o seu coração...,
Deixando-a sem consolo e tranq√ľilidade...,
Deixando seu olhar cravado ao ch√£o...

Quisera que você estivesse aqui agora....,
Prá ver que eu também sei chorar...
Pr√° saber que a escurid√£o caiu l√° fora,
E pr√° entender o quanto eu podia amar...

Os ruídos das rodas rangem...,
Sufocam os meus gritos de adeus....
Talham minha alma com um golpe selvagem,
E distorcem os traços que eram seus...

A dist√Ęncia me envolve e me emba√ßa a vis√£o...,
Já não mais a vejo, em meio à multidão...
Distante ficou você..., seu amor ..., seu coração...,
E pra longe vou eu..., acenando prá aquela sumida estação...

03/02/73




 




 


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